Relevante e Simples

A ressurreição de uma mulher chamada Dorcas, narrada no livro de Atos, nos traz uma reflexão muito rica. Embora Dorcas não fosse uma mulher famosa por seu “status social”, ela tinha uma vida relevante para algumas mulheres daquela localidade. As “armas” de Dorcas eram agulha, linha, tecidos “doados”, habilidades com costura, sensibilidade para com os necessitados e muito, mas muito amor por vidas!

Jope, a cidade onde Dorcas morava, era um importante local portuário as margens do Mar Mediterrâneo. Dali esposas viam maridos partirem em distantes jornadas mar a fora sem ter a certeza de que voltariam novamente para casa. Jope era um lugar de muita viuvez e orfandade, sem falar das implicações que essas condições geravam, tanto socialmente como economicamente. Ali estava Dorcas, no meio do caos, com sua vida disposta a fazer algo por aquelas mulheres e crianças, apenas com sua coragem, agulha, linha, amor e contando com a boa vontade daqueles que estavam dispostos a investir um pouco de tecido na sua causa.

Sabemos que agulhas, linhas e um punhado de tecidos não fazem nada por si só, mas pessoas habilidosas e cheias de paixão e criatividade, são capazes de mudar vidas mesmo que seus nomes não sejam evidenciados. A morte de Dorcas revelou a toda a Jope o quanto sua vida era relevante para aquelas pessoas. O próprio apóstolo Pedro fez questão de ir até lá ressuscitá-la, pois o que é relevante precisa continuar. Quanto ao simples, fica por conta da seguinte pergunta: Após ser ressuscitada, Dorcas foi fazer o quê? Será que ela foi dar palestras, vender livros da sua história, fundou uma ONG, foi contratada para fazer um filme ou algo parecido? Não! Dorcas simplesmente foi costurar novamente, só que agora, sendo a expressão viva do milagre de Deus. Dorcas estava tão radiante de vida de Deus e preocupada com aquelas vidas, que não teve tempo a perder com seu orgulho ou carência de reconhecimento do seu trabalho por parte dos homens. Quem conhecia Dorcas, sabia quem ela era de verdade! Relevante e simples!

Fiquei pensando se minha vida seria tão relevante e simples como a vida de Dorcas. Se eu morresse hoje e o apóstolo Pedro estivesse em Guaíba, será que valeria a pena alguém ir chama-lo para que eu fosse ressuscitado? Será que minha vida mereceria ser continuada? Será que apareceria alguém chorando no meu velório vestindo “trajes de exemplos” por mim deixados?

Dorcas não mudou o sistema político, econômico ou social da época, mas certamente mudou a vida de muita gente. Como costureira, fez o que nem mesmo os mais poderosos dos seus dias fizeram. Não se acovardou diante da necessidade e da falta de recursos; não colocou a culpa nas autoridades, não murmurou, mas corajosamente enfrentou seus dias e aliviou a vida de muitas pessoas. Sigamos seu exemplo. Sejamos a expressão viva do milagre de Deus em nossos dias!