Ajustando o Foco Corretamente

ntendo que no desejo de ganhar vidas para Cristo e ver o estabelecimento do reino de Deus na terra, a igreja perdeu o foco do verdadeiro sentido do evangelho de Jesus Cristo.

Lançou mão de mecanismos do mundo com o argumento de ganhar o mundo. Em vez de influenciar, acabou influenciada. Mesclou-se.

Deixou de ser confrontadora para tornar-se uma facilitadora do sistema dentro de uma “visão gospel”.

Possui uma aparência, mas há muito perdeu a essência – Apocalipse 3:14 a 21 – a igreja de Laodicéia.

Está envolvida em ativismo e perdeu sua espiritualidade.

O ativismo não equivale a realização.

O mundo a vê como um segmento de mercado, e não como um agente de transformação.

Em prol da teologia da prosperidade, ministérios e igrejas fizeram com que a casa que deveria ser chamada casa de oração se transformasse em covil de salteadores – Mateus 21:12 e 13.

A igreja tornou-se um negócio rentável.

O humanismo (homem como centro) substituindo o cristianismo (Cristo como centro). Ministérios firmados em cima de personalidades.

Em nome da liberdade que o evangelho proporciona, perdeu-se o temor de Deus e o testemunho como filhos de Deus está completamente prejudicado.

As lideranças da igreja estão comprometidas pelo mau testemunho: vida sexual, dívidas, divórcios, falta de ética, relacionamentos.

Perdeu-se a esperança da vida eterna. De que adianta ter a vida eterna e não ter as coisas nesta terra?

Num mundo onde tudo é relativo a igreja também já não sabe o que é certo e o que é errado, tendo em vista os conceitos e o estilo de vida da sociedade atual.

A igreja não tem as respostas para as questões éticas que se apresentam, porque lhe falta profundidade bíblica.

A leitura e a meditação na palavra de Deus foram substituídas por livros que dão respostas prontas (fast-food), sendo que cada autor tem uma forma de encarar os assuntos e a sua realidade, o que tem proporcionado muita confusão.

Diante de todas essas coisas, como saber o foco correto e como mantê-lo no meio de tantas coisas novas que aparecem a cada dia?

AJUSTANDO O FOCO CORRETAMENTE

01) RECEBENDO A REVELAÇÃO – MATEUS 16:13 A 20:

Houve um momento em que Jesus desejou saber qual era o conceito que as pessoas tinham a seu respeito, o que elas pensavam acerca da Sua pessoa.

Sua primeira pergunta aos discípulos foi: – Quem diz o povo ser o Filho do Homem? – a pergunta visava saber o que pensavam aqueles que estavam se beneficiando do evangelho (cura, libertação, milagres, comida), sem necessariamente ter qualquer tipo de compromisso ou responsabilidade com Deus.

Uns diziam: João Batista.
Herodes era um dos que pensava desta forma: – Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus e disse aos que o serviam. Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isto, nele operam forças miraculosas – Mateus 14:1.
Outros diziam: Elias – conforme o relato bíblico em 2 Reis 2:9 a 14 o espírito que estava sobre Elias poderia ser transmitido de forma duplicada, como foi para a vida de Eliseu.
Outros diziam: Jeremias ou algum dos profetas.
O conceito que as pessoas tinham estava relacionado com os profetas, pois eram estes a referência de alguém que exercia poder e transitava no sobrenatural.

Recebendo essas informações Jesus lhes faz uma segunda pergunta – Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?A pergunta agora era direcionada para aqueles que andavam, comiam, viajavam, ministravam com Jesus.

Então Simão Pedro responde: “TU ÉS O CRISTO (O UNGIDO, O MESSIAS), O FILHO DO DEUS VIVO.”

Esta resposta não era algo evasivo, distante, mas objetiva, convicta, sem qualquer dúvida.

Imediatamente vem uma resposta de Jesus:

Bem aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.”

A declaração de Pedro não foi o resultado de conhecimento humano, mas fruto de REVELAÇÃO DE DEUS.

“Revelação do ponto de vista bíblico é tudo aquilo que é transmitido diretamente por Deus, que de nenhuma outra forma o homem poderia receber como resultado de sua inteligência, conhecimento ou capacidade”.

Imediatamente Jesus pronuncia uma verdade que devemos nos apossar porque ela deve servir de base, de alicerce para nossa caminhada de fé.

“Também eu te digo que tu és Pedro, e SOBRE ESTA PEDRA edificarei a minha igreja…” – a Igreja Católica Apostólica Romana aplica que a edificação da igreja é sobre a vida de Pedro, por isso ele é considerado o patrono da igreja.

A Bíblia quando fala de pedra refere-se a fundamento, a alicerce. Entendo que a pedra mencionada neste texto se refere a revelação que Pedro recebeu de Deus. Portanto, a igreja será alicerçada, fundamentada, edificada em cima dessa revelação: Tu és o Cristo o Filho do Deus vivo. Enquanto não tivermos essa revelação, que é sobrenatural, não seremos considerados filhos de Deus nem tampouco estaremos inseridos no contexto do reino de Deus.

A IGREJA É RESULTADO DE UMA REVELAÇÃO DE DEUS

Muitos em nossos dias fazem parte do contexto da igreja, mas não são salvos. Gostam da igreja, dos pastor, do louvor, das ministrações, mas ainda não tiveram uma experiência sobrenatural de um encontro com Deus. Não tiveram ainda a revelação de que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo.

É importante observarmos que esta revelação traz dois desdobramentos fantásticos:

01) As portas do inferno não prevalecerão contra ela – é interessante observarmos que não são as portas que chegam até a igreja, mas a igreja que chega até as portas do inferno e estas não prevalecerão. Isso nos aponta para uma igreja que foi levantada para conquistar. Até chegar as portas do inferno certamente houve uma trajetória, territórios que foram sendo conquistados, inimigos vencidos e despojos tomados. Como igreja que recebeu e se apossou da revelação de que Cristo é o Filho do Deus vivo, lhe é dada unção de coragem, de força e de ousadia e nada poderá detê-la. Uma outra situação que estabelece essa conquista, é de que Jesus Cristo o Filho do Deus vivo nos diz em Apocalipse 1:17 e 18 – “Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO INFERNO.

Importante: Quem tem as chaves da morte e do inferno não somos nós, mas Jesus Cristo o Filho do Deus vivo. Porque não podemos vencer o inimigo por nossas próprias forças, pois precisamos de alguém que seja mais forte do que ele. E esse alguém tem nome, tem endereço, tem história, tem poder, tem unção, tem autoridade, tem glória, e o nome dele é JESUS CRISTO – REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES!

02) Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus – para que servem chaves? Para abrir e fechar portas. Você dá as chaves da sua casa para qualquer pessoa? Não. Você dá as chaves da sua casa para pessoas que você confia. Quando alguém recebe as chaves de uma casa significa que todos os compartimentos da casa estão disposição e que pode desfrutar de tudo que a casa pode oferecer. Quando vamos ficar alguns dias fora entregamos a chave de nossa casa para um irmão, para que fique cuidando de tudo para nós. Esse irmão tem acesso ao refrigerador e pode comer o que tem disponível, usa nossa TV, nosso DVD, utiliza nosso banheiro, a churrasqueira. Ao entregar-nos as chaves do reino dos céus Jesus estava nos dizendo justamente isso: ao entrar no reino de Deus você receberá as chaves desse reino para abrir portas e fechar portas. Quando em algum ato ou evento, os pastores recebem simbolicamente a chave da cidade, entendem profeticamente que a autoridade está sendo repassada para a igreja e esta valendo-se deste ato, que tem repercussão no mundo espiritual, emite decretos em favor da cidade.

O objetivo de Jesus ao entregar-lhe as chaves do reino é lhe conceder autoridade e poder para entrar no mundo espiritual e abrir portas que estão fechadas. Porque você não usa as chaves que estão nas suas mãos?

Há áreas na sua vida cujas portas precisam ser fechadas, desligadas no mundo espiritual, e, para isto Deus colocou as chaves na sua mão.

Pegue as chaves e feche as portas da mentira, do desânimo, da desesperança, do fracasso, da miséria, da tentação, da fraqueza na área sexual, das dívidas que você não consegue pagar, dos vícios das drogas, do cigarro, da bebida, do bingo, da internet. Feche as portas de sua mente corrompida, da sua estupidez, da sua agressividade, da sua negligência, da sua preguiça, da sua falta de controle nas finanças, do seu mau testemunho, da infidelidade, de não dizimar nem ofertar, da sua impaciência, do desemprego, da falta de atitude, da solidão, do egoísmo. Note que não é somente utilizar palavras, mas ter atitudes, organização, autodisciplina para que se cumpram os decretos que você está emitindo.

Agora pegue as chaves que abrem as portas da esperança, da ousadia, da fé, da verdade, da autoridade, do poder, da saúde, da benção, da graça, do sangue de Jesus, da Palavra de Deus, dos anjos, do ministério, da coragem, da força, do amor, da alegria, da paz, da reconciliação, do perdão, da cura interior, da libertação, da longanimidade, da fidelidade, da bondade, do arrependimento, da salvação, do direito de filho de Deus, do nome de Jesus, da mente renovada, da santidade, da prosperidade, e pela fé abra essas portas em nome Jesus.

Importante: As chaves do reino de Deus são entregues a você.

02) NEGANDO-SE A SI MESMO – LUCAS 9:23
A primeira coisa que mencionamos no ajuste do foco tem a ver com a revelação da pessoa de Jesus Cristo, e o que Ele deve significar para nós em todas as áreas de nossa vida e na esfera de ação que cada um de nós deve atuar.

A segunda coisa está relacionada com a nossa pessoa e o estilo de vida que adotamos.

Vivemos numa sociedade ensimesmada, competitiva, onde cada um tem que ser o melhor possível naquilo que faz para se dar bem. Para tanto, os valores estabelecidos e os princípios a serem seguidos não tem nada a ver com o que Deus deseja para aqueles que se dizem seus filhos. Estabelece-se o princípio de que “os fins justificam os meios”.

Diante disso nos deparamos com uma igreja confusa, que negocia o que recebeu de Deus, em troca do conforto, da comodidade, do bem estar, da fama, do sucesso, do dinheiro, daquilo que hoje denominamos prosperidade.

Entendo que muitos de nós não temos consciência do que significa “perder a vida para ganhá-la”. Essa expressão, na maioria das vezes, nos leva a pensar que significa termos deixado as coisas do mundo (fumar, beber, drogar, prostituir, deixar de ir a festas). Porém, isso vai muito mais além. Perder a vida significa negar-se a si mesmo, ou seja, não deixar ser dominado pela carne, pelos desejos, pelos sentimentos, pelos próprios pensamentos e planos. Precisamos entender que deixar as coisas do mundo não é suficiente, quando não estamos dispostos a sermos trabalhados por Deus para a destruição de coisas subjetivas como: egoísmo, individualismo, rebeldia, competição, temperamento, solidão, interesse próprio, orgulho, vaidade, segundas intenções, comodismo, tempo, dinheiro, a justiça própria, razões, direitos, a força do braço, reconhecimento, valorização,… Todas estas coisas são extremamente difíceis de serem negadas.

Foi no monte das Oliveiras que Jesus disse a expressão que marcou a sua auto-negação:

Meu Pai, se possível, passe de mim esse cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.”- Mateus 26:39.

Quando estava nesse mesmo monte, o Monte das Oliveiras em Jerusalém, retirei-me para orar e o Senhor me deu uma palavra que guardei em meu coração – João 10:17 e 18:

“Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. NINGUÉM A TIRA DE MIM; pelo contrário, EU EXPONTANEAMENTE A DOU. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.”

E Deus ministrou-me da seguinte forma:
“Filho, muitas vezes você está cansado, desgastado, como se as pessoas estivessem sugando, tirando a tua vida. Você pode evitar tudo isso se você simplesmente der a sua vida expontaneamente. Ninguém te tira nada quando você se propõe a dar, a se doar, a se entregar.” Aí entendi o significado de negar-se a si mesmo. Foi isso que Ele fez por mim. Não pediu nenhuma explicação, simplesmente se entregou espontaneamente por mim, por amor.

Isso é ressaltado nas Escrituras nos seguintes textos:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que DEU o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – João 3:16.

“Ninguém tem maior amor do que este: de DAR alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” – João 15:13.

“Nisto conhecemos o amor: que Cristo DEU sua vida por nós; e devemos DAR nossa vida pelos irmãos.” – I João 3:16.

03) REALIZANDO A OBRA:
Conforme vimos no início deste “ajuste de foco” a igreja Corpo de Cristo deu lugar a igreja institucional. Por conseqüência, suas motivações realizações não atendem ao propósito de Deus, ainda que muitas vezes realizadas em nome de Jesus (não generalizar).

Quando Jesus deu início ao seu ministério separou 12 discípulos, os quais chamou apóstolos com dois objetivos – Marcos 3:13.

a) Estarem com ele (Jesus) – para aprenderem;

b) Enviar a pregar e a exercer autoridade de expelir demônios – para realizar a obra.

No negar-se a si mesmo aprendermos como nos tornarmos discípulos.

Em realizando a obra, vamos verificar de que forma isso era feito.

Marcos 6:7 a 12:

“Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.”A realização da obra de Deus somente poderá ser realizada mediante a autoridade que nos é outorgada por Jesus e ela está relacionada diretamente a guerra espiritual. Não existe território sem dono. Se quisermos estabelecer o reino de Deus na terra, precisaremos conquistar os territórios ocupados pelo inimigo. A tomada de territórios não se faz com mecanismos humanos, mas com poder e autoridade espiritual – oração, jejum, atos proféticos, fé na palavra de Deus, consagração.

“Ordenou-lhes que nada levassem para o caminhos, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro, que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas.”
Esse texto nos fala da dependência de confiar em Deus para todas as coisas. Todos os recursos que necessitarmos Deus proverá para que a obra possa ser realizada.

Tendo o Senhor Jesus como nosso referencial, verificamos que o seu ministério envolveu praticamente quatro áreas de atuação:

01) Pregação (do evangelho do reino) – Mateus 4:23; 10:7; Lucas 4:43; 16:16; – uma pregação que estava voltada para o estabelecimento da ordem, dos valores e dos princípios do reino de Deus. Não buscava Sua própria glória, mas a glória daquele que o havia enviado. A mensagem não era sua, mas daquele que O enviara. Não se tratava de uma religião, de um legalismo, de um fanatismo, mas da manifestação da pessoa e da obra do Pai através da sua vida.

02) Ensino – Mateus 4:23; 7:28; 9:35; 11:1; Lucas 19:48; João 7:46 – é importante notarmos que o ensino foi algo fantástico na vida de Jesus, a ponto do povo ficar dominado por Ele (Lucas 19:48) e se maravilharem da sua doutrina e autoridade.

Em nossos dias se trabalha muito com a necessidade das pessoas (materiais, físicas e espirituais) e desconsideramos que muitas dessas necessidades é por ignorância, pois na medida em que conhecerem a verdade, a verdade as libertará (João 8:32) trazendo até elas as bençãos do reino de Deus. Porém, essas verdade precisam estar impregnadas de profundidade bíblica e unção.

É interessante como em Lucas 1:3 e 4 somos orientados como expor esse ensino:
a) …depois de acurada investigação de tudo desde sua origem… – termos diligencia na busca das verdades desde sua origem, o que permitirá termos uma visão ampla do assunto, domínio do conteúdo, e autoridade na sua transmissão, que resultará no estabelecimento da verdade e na eliminação de dúvidas.

b) …exposição em ordem – capacidade de colocar as coisas em ordem para que se torne de fácil compreensão a todas as pessoas, facilitando assim a sua assimilação, raciocínio, compreensão e aplicação do ensino recebido.

) …plena certeza das verdades em que foste instruído – é conseqüência da profundidade do conteúdo e da forma de ensinar.

03) Expulsão de demônios – Mateus 10:8; Marcos 6:7; Lucas 9:1; 10:19 e 20 – Jesus falou que uma das marcas registradas da chegada do reino de Deus era a expulsão de demônios (Lucas 11:20). Vemos que essa ação é regida pela presença de autoridade e poder que é liberado por Jesus para os discípulos (igreja). O enfoque está no fato da tomada de território que estava em posse do inimigo.

04) Cura de enfermos – Mateus 10:1 e 8; Marcos 6:13; Lucas 9:1; 10:9 – isso também demonstra o poder de Deus sobre o mundo físico, em especial a cura das enfermidades. Uma cura resulta num testemunho tremendo, que pode levar muitos a crerem em Cristo Jesus e serem salvos.

Importante:
Diante de tudo o que foi escrito é necessário salientar:

01) A revelação é trazida por Deus.

02) O negar-se a si mesmo é uma obra do Espírito Santo em nossa vida.

03) Fazer a obra é algo sobrenatural, pois todas as ferramentas são dadas por Deus.

04) Conclusão: tudo vem Dele e é para Ele.

A ELE A GLÓRIA, O LOUVOR, O PODER, AS AÇÕES DE GRAÇA, A SABEDORIA, O PODER, A AUTORIDADE, A FORÇA PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS! AMÉM.